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Trabalho sobre Consciência Negra



VERSÕES DO IMAGINÁRIO


(Fonte: http://www.planalto.gov.br/seppir/20_novembro/artigos/art2.htm, ilustrações nossas)



Zumbi dos Palmares, permanece no imaginário popular com inúmeras versões, todas elas falando da escravidão onde sobressai-se um escravo rebelde, que se impõe na história fazendo história.

Magro, baixo, negro, o coroinha toma a benção do padre Antonio Melo. Antes de deitar, repassa a lição de latim e combina com o religioso as tarefas do dia seguinte. Ao amanhecer, porém, o pároco de Porto Calvo não encontra mais o adolescente de 15 anos.

Embrenhando-se na mata virgem, o jovem percorre 120 quilômetros a pé Ávido por alcançar seu lar, o "Quilombo de Palmares", uma poderosa federação de escravos fugitivos fundada no sertão nordestino. Foi de lá que Francisco, depois Zumbi, escapara anos antes, para escapar da morte durante um ataque inimigo. Cerca de 50mil negros habitavam um rosário de aldeias (mocambos) que se estende quase que a totalidade da atual Alagoas. O território era pontilhado de ricas lavouras. Um Conselho de Chefes cuidava das leis e governava. Á frente deste conselho, com status de rei, está Ganga Zumba, tio de Zumbi. 

O sobrinho do soberano, herdeiro do seu poder, não demora a dar mostras de seu valor. Antes dos vinte anos, torna-se comandante das armas.

A guerra canalizava boa parte dos esforços do quilombo. Exércitos encarregados pelo governo de destruir a federação e devolver os escravos a seus donos são rechaçados constantemente. A cada novo ataque, enfraquecia Palmares. Uma investida bem sucedida dos portugueses, em 1678, leva Ganga Zumbi a assinar um acordo desvantajoso, pelo qual apenas os nascidos no quilombo preservariam a liberdade. Zumbi não aceita as condições e se rebela. Quer o fim da escravidão e decide continuar a luta.

Com o envenenamento do tio, torna-se líder e resiste heroicamente durante 14 anos. Em 1691, porém, o bandeirante Domingos Jorge Velho é encarregado de chefiar a mais poderosa das expedições já armada contra Palmares. Entretanto, durante três anos sustenta investidas violentas, até que dois tiros atingem Zumbi. Depois de um século, um sonho de liberdade chega ao fim.

Quando o nasce o sol, o campo está coberto de cadáveres. Zumbi não é identificado. Teria mesmo Zumbi tombado? O enigma só é desvendado dois anos depois. Os bandeirantes aprisionam Soares, um ex-quilombola. Torturado, o negro revela que o líder sobrevivera e leva os soldados até o esconderijo. Zumbi luta, fere vários, mata um. Cai morto ba manhã de 20 de novembro de 1695. Sua cabeça é cortada e exibida no Recife, para servir de advertência aos negros.

Zumbi era descendente dos guerreiros imbangalas ou jagas de Angola e nasceu por volta de 1655 em um mocambo do quilombo. A palavra Zumbi significa "Deus negro de alma branca".
Zumbi dos Palmares foi comandante político-militar, herói mítico, símbolo de esperança, e uma pessoa a quem se referiram como "Espártaco Negro Brasileiro", "Mártir", e os escravos acreditavam ser imortal. Zumbi é o arquétipo da resistência à escravidão, a mais completa alienação e subserviência à violência e aos poderes dos senhores do engenho.

O Brasil colônia foi responsável pelo maior translado humano da história, importando quase 5 milhões de africanos. Deste modo, a escravidão, gestou estruturas, moveu a economia e introduziu novos valores e conceitos da visão do mundo. 

Hoje vivemos num país onde mais de 80 milhões de brasileiros são negros ou descendentes deles. Isso representa 60% da população o que nos torna o país com maior habitantes da raça negra fora do continente africano.

A cor negra sempre foi arquetipicamente associada à sombra e é de vital importância na interação étnica do Brasil. Não aceitarmos nossa negritude é desvalorizar os preceitos morais de um país de mestiços. Em Zumbi, mito e arquétipo coabitam. Ele é símbolo nacional, um mártir guerreiro, que revolucionou o mundo com seu sonho de liberdade.

A discussão sobre Zumbi deve ser aprofundada como um instrumento da compreensão social e a história da questão do negro no Brasil. Ω


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