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Ainda sobre o carnaval

Continuo impressionado com a multidão que tomou conta das ruas de Belo Horizonte no começo da semana e com a escassez de análises sobre o fenômeno que assistimos. Por isso, corri atrás do Rudá Ricci, ontem, para ver se eu estava viajando ou se, de fato, a explosão de alegria do carnaval tem a mesma origem que as manifestações ocorridas há dois anos. E ele também pensa assim, o que me libera para dividir minhas impressões.

Primeiro, é preciso lembrar que Rudá fez a melhor avaliação sobre aquelas manifestações que sacudiram o Brasil porque ele viveu de perto todas as emoções e escreveu um livro cujo nome diz tudo: “Nas ruas”. Desde então, ele vem repetindo que aquelas pessoas não tinham líderes, não tinham bandeira... Ao contrário, estavam – e estão – cansadas de partidos, discursos, as instituições de hoje não as representam. Agora, Rudá está concordando que a multidão que tomou conta de Belo Horizonte no carnaval também não tem segundos interesses ou questões de ordem a levantar... Apenas, quer ser feliz, ocupar a cidade que é sua.

Foi um momento único, uma virada de página. Existem aspectos de difícil abordagem como, por exemplo, o fato de que algumas pessoas acharam as outras muito bonitas. Explico: os que têm mais poder econômico, usam cremes de qualidade, se cuidam melhor, geralmente ficam enfurnados em condomínios horizontais e shoppings centers... Agora, abandonaram os clubes, deixaram sua zona de conforto e foram para as ruas, se sentiram à vontade e aconteceu o que devia ser rotina na vida da cidade: todos os cidadãos juntos. Só os inocentes ou demagogos não percebem que moramos numa cidade hipócrita, na qual as pessoas ficam uma vida inteira segregadas... Ou alguém me diz que o mineiro que nasce no Belvedere, estuda na Escola Americana, tem casa no Morro do Chapéu e passa as férias em Miami vai se encontrar um dia com o filho de Venda Nova, que só passeia no Parque Municipal?

É um papo cabeça, perigoso, mas é preciso tê-lo. Afinal, quem mora na Pedreira Prado Lopes continua mudando o endereço na hora de procurar emprego. Quem vai ao Mineirão continua usando de transporte diferente, entrando por portões diferentes e ficando em espaços diferentes. Somos uma cidade excludente, que tem de se assumir e buscar fórmulas de virar o jogo.


FIM

(Eduardo Costa, http://www.hojeemdia.com.br, com modificações nossas para fins didáticos)



Tema da redação: carnaval. Tópicos: ruas de Belo Horizonte, alegria do carnaval, manifestações populares, líderes, bandeira