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Revolucionar a escola

Uma Educação crítica e cooperativa é capaz de reproduzir as bases materiais e espirituais de uma sociedade baseada na solidariedade. Não diferimos dos animais por nossa capacidade de pensar, e, sim, pela capacidade de reproduzir nossos meios de sobrevivência.

Uma Educação libertadora é a que almeja conquistar hegemonia por consenso, por práticas efetivas, e não por coerção ideológica. Deve abranger todas as disciplinas escolares, das ciências exatas à Educação Física.

As relações mercantilistas influem nas concepções daqueles que as adotam ou se deixam reger por elas. Tais relações acentuam o individualismo e induzem os educandos a acreditar que o mercado obedece a uma “lei natural”, e que fora dele não há alternativa...

Há que perguntar: para que serve a Educação? Para adaptar os educandos ao status quo? Para transmitir o patrimônio cultural da humanidade como se ele resultasse da ação destemida de heróis e gênios? Para formar mão de obra qualificada ao mercado de trabalho?

Um Educação crítica e solidária engloba alunos, professores, funcionários e suas respectivas famílias. E ultrapassa os muros da escola para se vincular participativamente ao bairro, à cidade, ao país e ao mundo. As portas da escola permanecem abertas a movimentos sociais, atores políticos, artistas, trabalhadores. E a ótica de seu processo pedagógico enfatiza esta verdade que a lógica mercantilista tenta encobrir: tanto a evolução da natureza quanto a história da humanidade têm seus fundamentos muito mais centrados na cooperação, na solidariedade, que na seleção natural, na competitividade e na exclusão.

O valor da escola se avalia pela capacidade de inserir educandos e educadores em práticas sociais cooperativas e libertadoras. Por isso é indispensável que tenha clareza de seu projeto político-pedagógico, em torno do qual deve prevalecer o consenso de educadores. Sem essa perspectiva, a escola corre o risco de ficar refém da camisa de força de sua grade curricular, como mero aparelho burocrático de reprodução do saber

Reinventar o futuro é começar por revolucionar a escola, transformando-a em um espaço cooperativo no qual se intercalem a formação intelectual (consciência crítica), científica e artística de protagonistas sociais comprometidos eticamente com os desafios de construir outros mundos possíveis, fundados na partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.


FIM

(Frei Betto, http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2015-03-28/frei-betto-revolucionar-a-escola.html)



Tema da redação: escola. Tópicos: redação sobre educação, solidariedade, meios de sobrevivência, hegemonia, coerção ideológica, relações mercantilistas, individualismo, lei natural, status quo, patrimônio cultural da humanidade, mão de obra qualificada, mercado de trabalho, redação dissertativa sobre educação crítica e solidária, professor, movimentos sociais, processo pedagógico, lógica mercantilista, evolução da natureza, história da humanidade, cooperação, seleção natural, competitividade, exclusão social, redação pronta sobre o valor da escola, práticas sociais, projeto político-pedagógico, educadores, grade curricular, reprodução do saber, formação intelectual, consciência crítica, protagonistas sociais