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A direita estudantil

Um dos gestos mais grandiosos da política é o do atormentado por falhas individuais ou coletivas que vem a público e admite erros, não por autopiedade, mas por compromisso com a própria consciência e com os que eventualmente o viram, em algum momento, como referência.

A história está cheia de políticos que, na tentativa de reavaliação de ideias e atos compartilhados, foram condenados ao ostracismo ou à morte. Não são apenas os episódios bíblicos, nem tampouco os associados aos ditos revisionismos.

Temos eventos pontuais e recentes. Há no Brasil um esforço de parte da esquerda nessa reavaliação de condutas. O partido do governo federal é o reduto do embate entre alguns históricos do partido e seus seguidores, de um lado, e os pragmáticos patrocinadores de coalizões, conchavos, acertos e escândalos, de outro.

Os nomes dos expostos a julgamentos pela própria esquerda são conhecidos, muitos já condenados como participantes das gangues do mensalão, e outros agora sob investigação por parceria no esquema que saqueava a Petrobrás.

O que restará mais adiante da fala dos atormentados que verbalizam seus dramas? O que as esquerdas inspiradoras do partido governista como projeto irão aprender das manifestações que já mobilizaram as contrariedades de nomes famosos?

O interessante é que o contingente mais entusiasmado com a autocrítica e a purgação do partido político da situação é o que torce pelo esfarelamento do governo e do partido. Há um regozijo com o autoflagelo de líderes que, cada um a seu modo, apontam para os desvios cometidos pelo partido em questão em nome da governabilidade.

O fenômeno talvez seja explicado pela incapacidade da direita de fazer o mesmo. O reacionarismo resume seu prazer ao desalento dos adversários. A esquerda sofre, diz que sofre e proporciona o gozo dos que querem vê-la sofrer.

Não há no Brasil, em nenhum momento, nem mesmo a autocomiseração da direita. Não houve quando dos depoimentos à Comissão da Verdade. Envolvidos em fatos notórios, como as torturas, a covardia da bomba do Riocentro, a ocultação de cadáveres e outros episódios debocharam da Comissão.

Uma certa direita (que se envergonha de ser tratada como tal) nunca admitiu os erros da ditadura. A direita é incapaz de refletir sobre o fato de que está na origem da estrutura corruptora das empreiteiras, enfim descoberta como se fosse uma corrupção transgênica, sem história e sem pai.

A direita americana tem a arte para redimi-la, como tenta fazer, mesmo que de forma enviesada, o xerife Clint Eastwood, aplaudido e vaiado em mais um filme sobre a guerra no Iraque, em que procura dizer: nós também erramos. Mas o Brasil não tem nem um Clint para dar charme a farsas ou a tentativas de remissão.

A direita brasileira só consegue produzir alguma reflexão em cima da reflexão alheia, quando o assunto é a autocrítica sob um mínimo de honestidade intelectual.

A direita brasileira pós-ditadura ainda é estudantil, quase secundarista na insistência do golpe como única alternativa a um ciclo que completará 16 anos de fracassos eleitorais. Para chegar à idade adulta, a direita deveria aprender com suas parentas americana e europeia, se parasse de matar aulas e fosse uma boa aluna.


FIM

(MOISÉS MENDES, http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/?topo=13,1,1,,,13, com modificações nossas para fins didáticos)



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