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Carnaval e a crítica seletiva

É compreensível haver repulsa ao carnaval deste ano da Beija-Flor, que ontem meritamente sagrou-se campeã. Repetiram-se à saturação críticas à escolha do enredo e sobretudo ao vultoso patrocínio que o governo ditatorial do país homenageado despejou em Nilópolis. Trovejaram discursos de “dinheiro sangrento”, “hipocrisia diante da miséria” e “título comprado”. Ainda que seja positivo questionar moralmente a opção da escola, é necessário fazer uma inflexão e ver até onde as coirmãs são exemplo de lisura e ilibação.

Do ponto de vista técnico e legal, Nilópolis fez um desfile impecável, à altura da tradição. Mesmo o controverso enredo foi aprovado, recebendo três dez e um 9,9, descartado. Ressalte-se que o regulamento da Liesa impede, nesse quesito, julgamentos de valor, limitando a análise ao desdobramento da história nas alas e nas alegorias. O que sobra é o desempenho da agremiação, que depende de exaustivos ensaios e dinheiro, principalmente.

Eis o grande teatro do carnaval. O financiamento de grande parte das escolas está muito longe da honestidade e da santidade: jogo do bicho, milícia, tráfico e sonegação em geral interferem no samba há décadas. Faz muito tempo também que se injeta dinheiro público na festa. Nem uma coisa, nem outra, porém, despertou tanta ira como agora.

É válido criticar, pois uma escola de samba deveria fazer jus ao nome e dar exemplos, como educar, inspirar — e definitivamente o que a Beija-Flor mostrou, a despeito de sua competência, é algo que não merece ser lembrado. Mas é injusto fazer uma crítica seletiva enquanto há tantos itens questionáveis escancarados no carnaval cariocano.


FIM

(http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2015-02-19/editorial-carnaval-e-a-critica-seletiva.html)



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