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Por que golpismo?

Há uma certa postura cínica que vigora no Brasil quando o tema é corrupção. Na última semana, vimos a manifestação rechaçando uma espécie de “flerte com o golpismo”. O fato é que, tempos atrás, o golpismo residia na imprensa; mais adiante, na oposição; e agora, ao que parece, está-se atribuindo à Polícia Federal e ao Judiciário. Quem serão os próximos golpistas? O povo?

Mas, voltando aos fatos, sabe-se que a ascendência da corrupção ocorreu com o surgimento do liberalismo. A partir da década de 50, a necessidade progressiva de se financiar os partidos políticos nos regimes democráticos (ou autoritários), além da aproximação dos poderes com os meios de produção, ampliou as possibilidades de a autoridade ser utilizada como instrumento da satisfação de interesses financeiros destituídos de finalidades públicas bem definidas. À vista da busca desenfreada de obtenção de bens de capital e da necessidade de “ter” e não de “ser”, o fato é que agentes públicos que incorrem em atos contrários à moralidade confundem o patrimônio público com uma potencial fonte de satisfação de interesses seus ou de outros, aqueles que agem por trás das cortinas controlando suas marionetes.

Indaga-se, portanto: o que se busca tutelar com investigações do gênero? Num estado de direito, a finalidade é proteger a probidade do funcionamento das instituições públicas. Mais do que isso, assegurar a impessoalidade que atua como força motriz da atividade pública, presente na Constituição de 1988. O que se nota com a discussão relativa à Petrobrás é um exagero em externar as perdas e ganhos financeiros que a empresa está sofrendo, e que o contribuinte terá que pagar, quando a principal preocupação deveria ser a fragilidade institucional e a reflexão sobre o afrouxamento moral desencadeado pela impunidade. Para o problema dos combustíveis, existe solução: é o aumento do combustível (autossuficiência?). Entretanto, para as fragilidades morais e institucionais, o caminho para soluções não é via decreto ou por meio de reajuste fiscal, mas, sim, por resgatar a autonomia de um povo. Então, por que golpismo?


FIM

(MÁRTIN MARKS SZINVELSKI, http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/?topo=13,1,1,,,13, com modificações nossas para fins didáticos)



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