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Bernardo Élis e a Academia Brasileira de Letras

É importante assinalar, nesta crônica, que Bernardo Élis, que se tornou imortal na ABL no dia 23 de outubro de 1975, foi, até hoje, o único escritor goiano a ocupar uma cadeira naquela Casa de Machado de Assis. Atualmente, estou torcendo para que o “Poetinha”, meu confrade, na Academia Goiana de Letras e grande amigo Gabriel Nascente consiga se eleger. A eleição de Bernardo, circunstancial, foi toda ela pontilhada de episódios interessantes de serem narrados. É o que vou relatar, sem desmerecer o feito literário do grande escritor. Nos meados do referido ano, JK candidatou-se à cadeira nº 1, antes ocupada por Afonso E. Escragnolle Taunay, filho do Visconde de Taunay, figura ilustre do II Império, e por Ivan Lins, seu último ocupante. Bernardo foi eleito por causa de três circunstâncias que o favoreceram: primeira, estávamos vivendo o período mais execrável da ditadura, sob o governo Geisel, que preferia ver o comunista Bernardo Élis na Academia do que Juscelino Kubitschek, vez que os militares, donos do poder, o odiavam; segundo, o mesmo Geisel determinou que a Caixa Econômica Federal fornecesse à ABL um polpudo apoio financeiro para que construísse sua nova sede, um edifício de 30 andares; terceira, para atingir esse objetivo, entrou no páreo o Golbery do Couto e Silva, maquiavélico e o mais intelectualizado entre os militares, que nutria aversão ao mineiro porque o ex-presidente o havia prejudicado na carreira, não o promovendo. Essa ajuda financeira da CEF seria retirada se os imortais elegessem Juscelino. Foi o que aconteceu. Logo, JK viu que perderia a eleição. No seu diário secreto narrou, entre outras citações, a seguinte: “26 de julho (1975). Ontem no jantar o Austregésilo de Athayde me recebeu assim: “Oh, meninão!”. Quis mandá-lo à p… que o p…. É o que farei depois da eleição”. Não se sabe se JK, após ter perdido o pleito, mandou o velho Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde, presidente eterno daquele círculo contubérnio, à sua mãe… É verdade que muitos dos acadêmicos, rebelando-se contra o Planalto, contrariando o Golbery, votaram no Juscelino. Ainda, no dia 02 de setembro (um mês antes da eleição) JK escreveu no seu diário: “Josué Montello contou que o Ney Braga (também, General e Ministro da Educação), telefonou-lhe de Brasília, pedindo que se mantenha neutro no pleito da Academia. Quer dizer, o Governo esposa a candidatura de Bernardo, o comunista”. Final da história. Bernardo obteve 20 votos e JK 18. Pior de tudo foi a declaração de voto, feita num depoimento, por Jorge Amado, que foi amigo próximo de Bernardo: “ – Bernardo Élis, grande escritor, amigo meu, antigo companheiro meu no Partido Comunista, disputava a vaga. Mas apoiei imediatamente a candidatura de Juscelino, porque era uma forma de combater a ditadura”. Todos sabem que Bernardo merecia entrar lá, e Juscelino não. Este havia escrito apenas dois livros. É a lógica, na sua evidência. Entretanto, no episódio cênico dessa eleição, o condimento essencial foi o dinheiro. Afinal de contas, ele fala numa língua que todas as pessoas entendem. Não é verdade?


FIM

(Luiz Augusto Sampaio, http://www.dm.com.br/opiniao/2015/02/bernardo-elis-e-a-academia-brasileira-de-letras.html)



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