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O fim do segredo de justiça

Os brasileiros dizem que os segredos são coisas muito sérias. Por isso, só se podem contar a uma pessoa de cada vez. Como quem conta um conto acrescenta-lhe sempre um ponto, com muita facilidade, de um fato simples - em segredo - se chega a uma complexa trama - pública - feita com partes desses fatos, nem sempre contextualizados, mesmo que verdadeiros.

Muitas vezes é nesta culinária semântica que se arrasta pela lama - que, amiúde, é sinónimo de Comunicação Social - o bom nome de pessoas e instituições que se veem desonradas, nas televisões e nos jornais, de forma irreparável. E todos sabemos que é impossível recuperar uma honra perdida. Ainda mais agora, quando a Internet, essa implacável colecionadora de memórias, se encarrega de tornar presentes todos os passados independentemente de serem verdadeiros.

Os segredos, porque são impossíveis de guardar, tantas são as pessoas que contatam com os fatos nas várias partes do processo, cansam-se, transfiguram-se, travestem-se e "camaleonam-se". Passam a ser uma espécie de antepassados dos "bit coins" da modernidade e usam-se indigentemente como moeda de troca - contra favores e outras informações - entre os protagonistas do poder: políticos, polícias, magistrados e jornalistas.

Todos investigam, todos intrigam, todos julgam, todos escrevem. Todos fazem tudo e quase ninguém o que deve.

No fim da linha, o público - leia-se: o povo - vai apenas comer uma fatia do bolo que lhe cozinharem. Normalmente, estará mal cozido e frio. E nunca é doce.

Era melhor acabar de vez com o segredo de justiça.


FIM

(José Manuel Diogo, http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4366805)



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