Faça este curso, porque você precisa aprovar em seu próximo exame, concurso ou vestibular.

Em busca do dinheiro perdido

Planejamento e transparência são palavras-chave para o sucesso de qualquer projeto administrativo, especialmente no setor público. Transparência gera a confiança necessária. Planejamento permite fazer mais, gastando menos e com mais eficiência, e cria condições sólidas para enfrentar momentos difíceis. Termos usados sem parcimônia pelo governo de Goiás, na sempre farta propaganda oficial, descobre-se agora, ironicamente após a reeleição, que para esse governo transparência e planejamento são apenas expressões publicitárias, que nunca foram levadas a sério. E nem foi preciso a oposição provar isso. O governo confessou.

Confessou que faltou transparência ao admitir um rombo de R$ 1,3 bilhão, depois de sustentar falsamente na campanha eleitoral a imagem de um Estado saneado e com equilíbrio financeiro.

Confessou que não existe planejamento, ao lançar mão de uma reforma administrativa improvisada, aprovada a toque de caixa, e que a cada dia provoca surpresas na própria equipe de governo. Registre-se que o problema não é o corte de cargos comissionados ou a redução de secretarias, medidas que venho cobrando há quatro anos, quando constatamos que Goiás é o Estado com o maior número de apaniguados políticos no serviço público no País.

O problema é o atraso nas medidas, que deixa Goiás numa posição fragilizada diante da crise econômica. O problema é o atabalhoamento de ações improvisadas, de cortes não planejados, que podem comprometer a prestação de serviços ao cidadão.

O desespero em que o governo se lança na necessidade de cortar gastos a qualquer custo escancara a gravidade da situação provocada pelo desgoverno que dominou os últimos anos na administração pública de Goiás. Na Europa, o governador afirmou que os cortes irão proporcionar uma economia de R$ 2 bilhões por ano. Dessa afirmação, emergem duas constatações possíveis, ambas preocupantes: ou o governo, para sobreviver à crise, irá comprometer a prestação de serviços, ou, mais provável, fica provado o desperdício que se fez nesses anos todos em gastos sem necessidade, direcionados apenas a perpetuar um projeto de poder.

Das palavras do próprio governador constata-se que a cada um dos quatro anos que passou, o governo simplesmente jogou fora R$ 2 bilhões. Recursos públicos usados para alimentar uma política antiga de clientelismo, de compra de apoios e de desperdício. Não é exagero dizer que esse foi o custo da reeleição, numa conta paga por ninguém menos que o povo goiano.

Não é difícil imaginar o que poderia ter sido feito com esses R$ 2 bilhões jogados fora anualmente. O Hugo 2 estaria pronto, os Credeqs teriam saído do papel, os hospitais regionais seriam uma realidade.... Mas preferiu-se gastar indiscriminadamente, com o objetivo único de alimentar um projeto político pessoal.


FIM

(Daniel Vilela, http://www.opopular.com.br/editorias/opiniao/opini%C3%A3o-1.146393/em-busca-do-dinheiro-perdido-1.784189, com modificações nossas para fins didáticos)



Tema da redação: dinheiro público. Tópicos: planejamento, transparência administrativa, propaganda oficial, campanha eleitoral, reforma administrativa, apaniguados políticos, crise econômica, redação dissertativa sobre administração pública, projeto de poder, clientelismo