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Moda da morte violenta

Recebi recentemente inúmeros vídeos e fotos da violência urbana pelo celular. Tem muita gente que aprecia esses prazeres mórbidos, com a crueldade latente e a torpeza humana mais decepcionante. Não tenho essa vocação.

Quando penso ou escrevo sobre violência sempre tenho uma sensação frágil de impotência e inutilidade. Uma relação entre a cidadania como refém das organizações criminosas. Um dos indícios dos governos de primeiro mundo é a garantia do funcionamento estatal não só como punição dos infratores, mas pela valorização de princípios básicos como educação, segurança pública, etc.

Nossas leis penais são brandas demais e não causam pânico algum nos infratores. Eis aí a sensação de impunidade das vítimas. Andamos num caminho da descriminalização das condutas, estimuladas pelo sistema penitenciário falido. Pagamos com impostos um alto custo para manter indivíduos presos, além do auxílio penitenciário que beira os mil reais. A prisão, como escola do crime, mantém e sustenta marginais em colônias de férias forçadas, até que o semiaberto (ou então outro dos vários benefícios) lhes destranque o caminho rumo à nova prática delitiva.

O Brasil não tem histórico de expressividade em nenhuma das categorias do Prêmio Nobel, mesmo quando comparado aos nossos vizinhos latinos do grupo Brics. Opa: temos uma premiação em medicina em 1960 pelo fato de Peter Brian Medawar ter nascido no Rio de Janeiro, mas ele foi educado desde a infância na Europa! Nesse quesito perdemos para o Chile e inclusive de 5 a 0 para a Argentina. Seis escritores latinos já ganharam o Nobel de Literatura: Gabriela Mistral (Chile), Miguel Ángel Asturias (Guatemala), Pablo Neruda (Chile), Gabriel García Márquez (Colômbia), Octavio Paz (México) e Mario Vargas Llosa (Peru). Nós brasileiros não valorizamos nem conhecemos os nossos. Quiçá, um ou outro do eixo Rio-Sampa, ou algum agraciado com o marketing das mídias, reportagens compradas e vitrines, salvo raras exceções.

Falei sobre educação e literatura pois a educação está relacionada diretamente com a violência. Quanto mais a educação é valorizada, menos risco de se ter uma violência futura. Portanto, movimentos de solidariedade e cidadania de socialites são vãs e efêmeras, um eufemismo para a sensação de cumprimento do dever e ajuda ao próximo, buscando talvez um confortável lugar no céu do seu ego divino.

A sociedade se organiza lentamente em processos burocráticos de um Estado ineficiente, as organizações criminosas são ágeis, rápidas e criativas, com métodos gestores eficazes. Os criminosos são corajosos e conhecem seu território, nós lidamos com o medo e desconhecemos os lugares e os momentos. Eles estão cada vez mais armados e aparelhados, nós nos protegemos com policiais e seus salários baixos e desmotivados, munidos de armas de menor calibre e potência. Os armamentos, as armas, as drogas e dinheiro deles são globais, circulam bastante, nós somos regionalizados em feudos…

Devemos combater o crime a longo prazo com a valorização da educação e segurança pública. A curto prazo combatendo o atual descaso, a corrupção política, a ingerência e a incompetência. A luta contra o tráfico deve começar nas fronteiras, passar pelos morros, e nas cidades. Lutar contra o crime é não votar em políticos corruptos, é alternar o poder, é não valorizar o criminoso como um pop star do noticiário. Se tiver que recorrermos às Forças Armadas, pois que seja!

Não se combate o crime cortando gerências, não cumprindo com os compromissos de maiores salários da segurança pública (não só as chefias). Não se combate o crime com escolas sucateadas e professores pobres que não consomem informação suficiente nem mesmo leitura. Vivemos um terremoto ignorado, andamos num lago sob uma finíssima proteção de gelo, que a qualquer momento pode se romper. E nós, com os corações já congelados, perdemos as paixões calorosas de nossas ideologias, desconhecemos nossa capacidade e lidamos com a violência trancafiados pelo temor. Ou se muda essa mentalidade, ou a vida se transforma em susto, sangue ou morte! Até a próxima página!


FIM

(Leonardo Teixeira, http://www.dm.com.br/opiniao/2015/04/moda-da-morte-violenta-2.html)



Tema da redação: morte violenta. Tópicos: cidadania, organizações criminosas, educação, redação sobre violência urbana, leis penais, impunidade, sistema penitenciário brasileiro, auxílio penitenciário, prisão, escola do crime, marginais brasileiros, redação dissertativa sobre violência, regime prisional marginais, prática delitiva, Brasil, Prêmio Nobel, brasileiros, literatura, solidariedade humana, sensação de cumprimento do dever, ajuda ao próximo, sociedade brasileira, drogas, armas, valorização da educação, corrupção política, tráfico de drogas, políticos corruptos, escolas sucateadas, ideologias, redação pronta sobre segurança pública