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Há meses e meses alimento o desejo de falar sobre canários neste espaço, mas, com tanta notícia ruim, o que é bom, lamentavelmente, fica em segundo plano. Agora, não dá mais pra segurar. É preciso voltar 50 anos no tempo para rever minha infância na calma Inácia de Carvalho, à época distrito de Vespasiano, hoje bairro de São José da Lapa. Entre as aves que faziam brilhar meus olhos e davam cores aos meus sonhos, duas se destacavam, provavelmente pela quantidade e a insistência em um canto estridente, música para meus ouvidos: os canarinhos e os papa-capins.

Pois, não é que meio século depois, em Nova Lima, reencontro esses pássaros. Não tive dúvidas: criei o “comedouro” e declarei amizade com um casal que resolveu se aninhar na cumeeira lá de casa. Quando o filho nasceu, a expectativa de que teria família enorme no quintal. Não muito tempo depois ele sumiu e então ouvi que é assim: o canarinho é fiel, fica com a companheira, e só com ela e não divide o território nem com o filho.

Apaixonado com a aquela visão estonteante do macho amarelo cantando sem parar me contive, fui passear em Vila Velha e lá estavam eles, por todos os cantos, em todos os postes e fios, sem falar nas árvores. Pois, eis que agora, recebo notícia do Correio Itabirano e lá estão eles. O repórter escreveu que, em meio a assassinatos, assaltos em lotéricas, lixo acumulado nas ruas, crise econômica, superfaturamentos, falta de água, nessa fase dificílima por que passa Itabira (e o mundo) há um espetáculo gratuito, lindo e diário para oxigenar. São eles, os canários, soltos, livres, alegres, como deve ser; jamais engaiolados. Belo, belíssimo, encantador, inspirador, um presente da natureza. Para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir. Estou com ele...


FIM

(Eduardo Costa, http://www.hojeemdia.com.br)



Tema da redação: infância. Tópicos: canarinhos, papa-capins, canários, pássaros