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A maldição do Belo Horizonte

Às vésperas do Carnaval de dois anos atrás, a colega Juliana Lima entrou na redação empolgada e foi logo vaticinando: “Finalmente, Belo Horizonte descobriu sua vocação. Os blocos de rua são a nossa cara, é só a prefeitura não atrapalhar, além de oferecer o mínimo de estrutura, como banheiros móveis”. Dois anos depois, também numa segunda-feira e já perto da folia de momo, a jornalista considerava nossa triste realidade, diante de muita polêmica em Santa Tereza, onde jovens foram baleados e travou-se intensa discussão para definir se o encontro das pessoas nas ruas é possível, como fazê-lo, até que horas, etc.

“Parece uma maldição, tudo que tende a crescer em Belo Horizonte acaba logo”, disse Juliana. A frustração dela merece uma análise de nossa vocação para a tristeza, a falta de festa, a ausência do encontro. Já não temos praia, a personalidade do mineiro é mais fechada, desconfiada, e, não bastasse, parece que um ser maior, misterioso e mal decretou que nós não podemos ser grandes. Em nada. Lá no século passado, final dos anos 70, tivemos um "prefeito único" que mexeu com a cidade e a chamou para as ruas. Ele conseguiu fazer desfiles de escolas e blocos na Afonso Pena que eram comparáveis ao espetáculo do Rio de Janeiro. Maurício também fez o “Forró de Belô”, que lembrava as monumentais festas juninas do Nordeste. Aquele prefeito, que gostava de cachaça para chegar ao povo, deu lugar a quem gostava de uísque, era da elite (a mesma origem de nossa classe dominante desde 1500), foi acabando com tudo. Depois, veio o seguinte (sofrível), vieram os tucanos, de outra plumagem, e nosso desfile de escolas virou algo triste, para não dizer pior.

Mas, sem que aquele prefeito único fizesse por onde – porque também não é do tipo que chama a cidade para a rua – os blocos foram saindo, saindo... E as multidões ganharam as ruas. Que alegria! Agora, volta e meia aparece uma autoridade para meter o bedelho e complicar. A única que deveria aparecer – o secretário regional – some, abrindo espaço para que oficiais da PM, promotores e outros comecem a dar entrevistas, sempre com palavras de advertência, proibição e punição. Nós, os jornalistas, gostamos da pauta, em vez de mudá-la, falar de alegria, estimular os foliões, ocupar as ruas...

A Banda Mole sai amanhã, mas já não desfila, só concentra. Bloco de rua em Santa Tereza só até 7 da noite... Tristes horizontes.


FIM

(Eduardo Costa, http://www.hojeemdia.com.br, com modificações nossas para fins didáticos)



Tema da redação: carnaval de Belo Horizonte. Tópicos: blocos de rua, banheiros móveis, folia de momo, maldição do carnaval, tristeza, personalidade do mineiro, redação dissertativa sobre desfiles de escolas de samba, blocos carnavalescos