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Temos o que merecemos

O velho taxista, de olhar distante e barba por fazer, desabafou enquanto o sinal vermelho não dava passagem: “Nós não merecíamos isso, não me conformo porque, depois de muito tempo, os mais pobres tinham alguma coisinha, estavam sonhando, os preços acomodados, a gente comendo melhor e agora tudo indo por água abaixo”. Compreendo a tristeza dele, mas, peço vênia para discordar. Cada dia acredito mais que cada um de nós tem exatamente o que merece e, se estamos vivendo dias acinzentados, não devemos transferir responsabilidades, culpar Deus ou o vizinho, o Nordeste, os analfabetos...

Primeiro, é preciso deixar claro para pessoas de qualquer partido político que, à luz da razão, da experiência de governos e equívocos, Luciana Genro tem muita razão quando os chama de primos: o sujo e o mal lavado. Dito isso, para não ficarmos polarizando a última disputa para a presidência, vamos esquecer a ação partidária e fazer, para nossa consciência, algumas perguntas, como as sugeridas por José Antônio Soares em seu Face book: votou nesse ou naquele candidato porque ele iria facilitar sua entrada ou de um parente num emprego público? Seu candidato lhe prometeu regularizar a situação daquele terreno que você invadiu há vários anos? Ele lhe prometeu um meio de você se aposentar antes do seu tempo de contribuição? Esse candidato por acaso é bonito ou bonita e você ficou atraído pela sua beleza durante a propaganda eleitoral? Você trabalhou para sua campanha e agora espera colher os frutos com um belo emprego de assessor parlamentar? O contemplado com seu voto é um artista de televisão, ex-jogador de futebol ou radialista famoso? Ele é um sindicalista, pastor, padre, pai de santo, guru e prometeu lutar pela classe? Seu patrão, gerente ou chefe pediu que votasse em fulano, pois, os negócios iriam melhorar e seu emprego estaria garantido? Se a sua resposta for sim a uma das perguntas, a culpa é sua.

Mas, independentemente do seu comportamento eleitoral, faça uma análise do seu dia a dia e confira se não gosta de estacionar em fila dupla, furar fila, roubar sinal de TV a cabo, compra recibo para abater no imposto de renda, compra produto pirateado em shopping popular, traz produto sem pagar impostos do exterior ou coisas desse tipo, pense na velha e surrada frase de que cada povo tem o governo que merece.


FIM

(Eduardo Costa, http://www.hojeemdia.com.br, com modificações nossas para fins didáticos)



Tema da redação: transferir responsabilidades. Tópicos: ação partidária, consciência, emprego público, redação pronta sobre propaganda eleitoral, campanha eleitoral, assessor parlamentar, comportamento eleitoral, redação dissertativa sobre povo e governo