Faça este curso, porque você precisa aprovar em seu próximo exame, concurso ou vestibular.

Celibato e castidade

Sou fã do Papa Francisco. Difícil é achar quem não é. Ele é tão diferente que provavelmente vai mexer num assunto explosivo dentro da Igreja Católica: a proibição de os padres se casarem. Peço desculpas aos que são radicalmente contra questionamentos dos dogmas, mas, no cumprimento do meu ofício, vejo-me obrigado a tratar de temas que são latentes e a gente não pode ignorar... Já li e ouvi várias justificativas para a proibição do sexo e do casamento, incluindo a mais óbvia de que os padres, ao optarem pelo sacerdócio, o fazem de livre arbítrio. Entre os senões está o de que, lá no passado, bispos estariam temerosos de que herdeiros poderiam levar a riqueza da instituição.

Não importa o que aconteceu no passado. Hoje, mesmo os mais conservadores concordam que o casamento não será razão de obstáculo para que um homem reze uma missa, reúna fiéis, fale de Deus e de amor. Neste momento, novos padres anglicanos que se converteram à Igreja Católica no Reino Unido sem a obrigação de adotar o celibato estão sendo ordenados. Aqui no Brasil, dom Erwin Kautler, bispo austríaco que há 30 anos é responsável pelo Prelado do Xingu, no Pará, sabe que a falta de vocações compromete seu trabalho: para uma das maiores circunscrições eclesiásticas do país, com 365 mil quilômetros quadrados, ele dispõe de 27 padres. E diz que é preciso flexibilizar: que presidir a celebração da eucaristia, por exemplo, não seja uma prerrogativa exclusiva de um homem celibatário.

Sou um daqueles brasileiros levado pela mãe à missa nos primeiros dias de vida e que, anos após anos, foi perdendo o encanto com padres mal educados, sem paciência, irritadiços com ocorrências as mais humanas como o choro de criança. Claro que existem exceções, belas exceções, mas, para mim, muitos sacerdotes sofrem de um amargor que pode ser fruto do juramento de viver na solidão. Outra coisa que nunca saiu da minha cabeça é como um pregador da palavra de Deus pode aconselhar uma família se ele desconhece as suas nuances. Também já tentei encontrar na bíblia alguma recomendação divina de que o homem, para falar em seu nome na eucaristia, deve ser casto e celibatário. O que o nosso querido lá de cima seguramente condena é a pedofilia e as sexualidades enrustidas.


FIM

(Eduardo Costa, http://www.hojeemdia.com.br)



Tema da redação: celibato. Tópicos: castidade, igreja católica, dogmas, sacerdócio, livre arbítrio, padre, redação dissertativa sobre vocação sacerdotal, celebração da eucaristia, viver na solidão, pedofilia, sexualidades enrustidas, redação pronta sobre sacerdote