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Exercício 4 - Interpretação de Texto

A VIDA OU O DINHEIRO

(Fonte: Família Cristã, Marcelo Barros)

A economia e o dinheiro como seu instrumento deveriam servir para que as pessoas vivam dignamente e o mundo possa se tornar mais passível de convivência e familiar para todos os seres humanos.

O sentido do termo grego economia significa a "boa administração da casa". Para a humanidade, a casa é o planeta Terra. Para cada pessoa, a casa é o seu corpo, a ser alimentado e cuidado, assim como sua comunidade familiar e social. Em um mundo globalizado, a casa da humanidade é cada vez mais a sociedade internacional.

Quando a economia de um país ou sociedade é alheia ou até contrária à preocupação com a vida das pessoas e até dos outros seres vivos, é sinal de que esta sociedade enlouqueceu. É como se a própria organização do mundo se transformasse em um assaltante que aponta uma arma à sua vítima e grita: "O dinheiro ou a vida!".

Há poucos dias, o mundo inteiro viu com emoção as operações bem sucedidas de salvamento dos 33 mineiros soterrados em uma mina no Chile. Parecia um milagre ver aqueles trabalhadores pobres e indefesos saírem vivos, depois de terem resistido 69 dias soterrados na mina que desabou. Um perdeu uma perna. Outros precisaram ser hospitalizados e outros ainda, acompanhados psicologicamente, mas a operação de salvamento, coordenada pelo governo chileno, foi considerada uma grande vitória. Entretanto, poucos se perguntaram pelas causas mais profundas daquele acidente e se ele poderia ter sido evitado. A Folha de São Paulo publicou: "conforme declaração do representante do sindicato dos mineiros, o governo chileno sabia do risco e das condições de insegurança daquele trabalho e preferiu não fechar a mina por motivos econômicos". Ao mesmo tempo, jornais internacionais publicaram: "Um estudo do banco suíço Ubs revela que, em todo o mundo, os trabalhadores que têm horários de trabalho mais prolongados e pesados são os do Chile.

Em Santiago, os operários mais pobres e mineiros da região devem trabalhar ao menos 51 horas por semana, diferentemente da média nacional que já é alta: 48 horas. Eles trabalham 2.754 horas de trabalho por ano. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera isso uma exploração semi-escravista" (Internazionale 869, 18- 22/ 10/ 2010, p. 26).

No mundo inteiro, a precariedade das condições de trabalho tem aumentado. Em vários países, os trabalhadores suportam isso por causa da ameaça do desemprego estrutural que atinge proporções nunca vistas, mesmo na Europa e nos Estados Unidos.

Além disso, as empresas aprimoram, cada dia, a capacidade de lucrar mais e com menos custos, mesmo se isso acarreta riscos para os trabalhadores. No Brasil, as condições de trabalho de operários/as em fábricas de tecido e confecção em São Paulo são quase sempre de sobrecarga de horário e salários ilegais, enquanto, no campo, lavradores lidam com trabalhos temporários, em condições de salubridade perigosa. Diversos agrotóxicos, mesmo quando manipulados com máscaras e luvas, provocam enfermidades graves e depressões.

Na maior parte dos países do mundo, este modelo econômico desumano, responsável pelo desemprego massivo dos pobres e destruidor da natureza, se impõe como dogma. Seus adeptos insistem que não existe alternativa ao modelo capitalista neoliberal.

Na América Latina, países como o da Bolívia e da Venezuela, a partir das novas constituições aprovadas pela maioria do povo, ensaiam um modelo de tipo socialista democrático e baseado não na velha teoria marxista e sim nas culturas comunitárias dos povos indígenas. Em vários países do mundo, mesmo governos conservadores investem pesquisas e iniciativas no que se chama economia solidária. Na Europa, "mais de um milhão de pessoas trabalham na ação social e vêem a economia solidária como um laboratório de luta contra a pobreza injusta. Cada vez mais, se investe nos diversos tipos de microcrédito em tudo que possa ajudar as pessoas pobres a se libertar social e economicamente" (Le Monde, Economie, 26/ 10/ 2010).

No Brasil, nos últimos oito anos, o governo deu uma nova força à "economia solidária". Este tipo de economia vem se apresentando, nos últimos anos, como alternativa para gerar trabalho e renda e é, sem dúvida, uma resposta a favor da inclusão social. Economia solidária envolve várias práticas econômicas e sociais, organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.

Há oito anos, o governo brasileiro criou uma Secretaria especial da Presidência da República para a Economia Solidária.

A Campanha da Fraternidade ecumênica deste ano de 2010 foi sobre Fraternidade e Economia. Mobilizou cristãos de várias Igrejas com o apelo de buscarmos juntos um modelo econômico que expresse um cuidado com todo ser humano e com a natureza. Precisamos de um fórum inter-religioso e até trans-religioso em defesa da vida e da solidariedade universal.



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Com base no texto acima, indique a única alternativa que contém a resposta correta de cada questão:


Questão 1) No título do texto, A vida ou o dinheiro, a palavra "ou" da ideia de

A) concessão

B) adição

C) exclusão

D) explicação


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Questão 2) (primeiro parágrafo) Para que haja perfeita correlação de tempo e modo verbais entre a locução "deveriam servir" e os verbos que se seguem, no mesmo período, estes deverão apresentar-se nas formas

A) possam viver / possa se tornar

B) pudessem viver / pudesse se tornar

C) podem viver / pode se tornar

D) puder viver / podendo se tornar


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Questão 3) "poucos, na frase "Entretanto, poucos se perguntaram pelas causas mais profundas daquele acidente" do quarto parágrafo, refere-se a uma parcela:

A) do mundo inteiro;

B) do governo chileno;

C) dos jornalistas da Folha de São Paulo;

D) dos trabalhadores pobres e indefesos saírem vivos.


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Questão 4) Na frase "A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera isso uma exploração semi-escravista.", do quinto parágrafo, entende-se que a OIT conceitua "essa situação" como sendo um regime de trabalho:

A) um tanto escravo

B) totalmente escravo

C) nem um pouco escravo

D) oposto ao escravo


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Questão 5) Com base no texto, é correto afirmar que,

A) na expressão "salubridade perigosa", sétimo parágrafo, há um pleonasmo vicioso, pois "salubridade" quer dizer "trabalho em condição perigosa".

B) no oitavo parágrafo, há um erro de ortografia na palavra "desumano".

C) no nono parágrafo, a palavra "vêem" está acentuada em desacordo com as normas da nova ortografia.

D) no último parágrafo, em razão de seu caráter altamente espiritual, a busca por um "modelo econômico" exige um fórum inter-religioso e até trans-religioso.


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